Exposição Coletiva “Mulher: A arquitetura do invisível”
trabalho e cuidado
Há um trabalho que segura o mundo e não se vê. Não tem horário nem nome, não deixa assinatura. Faz-se de madrugada e ao fim da tarde, repete-se sem fim, e só damos por ele quando falta. É o trabalho das mulheres que sustentaram — e sustentam — as casas, as famílias, as gerações.
Esta exposição procura esse trabalho onde ele ficou: não no rosto de quem o fez, mas nos vestígios que deixou. Uma lareira, uma mesa guardada pela memória, o pão que atravessa gerações, os degraus de quem sobe e desce mil vezes ao dia, a roupa entregue ao vento de uma rua de Alfama, as raízes que seguram a árvore por baixo da terra.
De Coimbra às Flores, do Funchal ao Faial, o gesto é o mesmo. Muda a paisagem, nunca o cuidado.
Em nenhuma destas imagens aparece uma mulher. E, contudo, todas falam dela. A sua presença é a da própria estrutura — aquilo que sustenta sem se mostrar, o alicerce que fica por baixo do visível. Foi essa a arquitetura que quis fotografar: a do invisível.
Fica o convite: olhar para o que sempre esteve ali e nunca vimos, dar nome ao que não tem nome, tornar visível, por um instante, o invisível de cada dia.
Fotografias presentes na exposição
Cristina Coelho